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21 de Agosto de 2019

MEC: Chega de médicos; precisamos de mais advogados (?!).

Elenilton Freitas, Advogado
Publicado por Elenilton Freitas
ano passado

O Governo Federal decidiu suspender a abertura de editais para criação de novos cursos de medicina no país até 2023 e, segundo ele, o objetivo da portaria é preservar a qualidade do ensino e garantir a sustentabilidade da política de formação médica no Brasil. Essa decisão também impede o aumento na oferta de vagas de cursos atuais.

"Isso se faz necessário até porque as metas traçadas com relação à ampliação da oferta de médicos no Brasil já foram atingidas”, disse Mendonça Filho no comunicado. De acordo com o ministro, o país já cumpriu a meta de criar 11 mil vagas anuais em cursos de medicina, cujo prazo só terminava em 2019, mais que dobrando o número de faculdades nos últimos anos.

Por outro lado, o MEC autorizou quase 11 mil novas vagas em cursos de Direito apenas em 2018. Só esse mês de abril de 2018, o Secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior autorizou a abertura de mais 09 faculdades de Direito, em um total de mais 1.210 vagas para estudantes de Direito.

Já sabemos que o curso de Direito já é a maior graduação do Brasil, de acordo com Censo da Educação Superior 2016 divulgado em 2017 pelo MEC.

Ora, não é de admirar que para fechar as contas grandes grupos educacionais tenham que demitir professores em massa, contratar outros à preço de banana, instituir aulas cada vez mais online em cursos presenciais, adotando também o TCC online, diminuir a prática jurídica nos NPJs (prática jurídica para inglês ver), entre outras medidas para gastar menos.

Significa dizer que não precisamos de mais médicos, mas precisamos sim de mais advogados, não é, MEC? Hmmmmm....

Um fato curioso é que, procuradas pela Reuters, a Kroton Educacional, maior grupo de ensino superior do país, disse que não comenta o assunto e a rival Estácio Participações informou que" está comprometida com o Programa Mais Médicos ".

Ampliam-se as vagas para cursos de Direito no Governo Temer, a OAB não consegue barrar isso e a Kroton agradece.

Congelam-se as vagas para cursos de Medicina no Governo Temer, o CFM aplaude e a Estácio resmunga.

Hmmmmmm.....

O fato é que, em vez de ficar brigando por uma falaciosa extinção da OAB, extinção do Exame de Ordem, alguém deveria se preocupar com a qualidade do ensino jurídico que vai cada vez mais para o ralo.

135 Comentários

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Parei de me importar com a quantidade de Advogados brasileiros, sabia?
Agora preocupo-me, de fato, com a qualidade intelectual dos Advogados resistentes que vivem e labutam diariamente pelo sucesso de sua Banca, sua qualificação pós graduação e anelo de fazer a diferença, destacando-se na profissão escolhida.

Graduação é para todos!
Advogar é para poucos! continuar lendo

O que me preocupa, desde a época dos estudos, não é a quantidade de advogados; é a baixa qualidade do ensino jurídico.

O que me preocupa é ver a educação ser vendida como se vende tomates na feira. E sim, as faculdades tem sua parcela de culpa na má formação intelectual de advogados. continuar lendo

Concordo plenamente com você, graduação é fácil, advogar e advogar com qualidade é realmente somente para poucos fortes ! continuar lendo

Qualificação pós graduação também é uma coisa bem relativa. Bemmmm, bemmmm relativa mesmo. Eu, por exemplo, tenho uma pós latu sensu financiada por meu pai, como uma espécie de "continuidade" da minha educação. Uma vez no mercado, por minha conta e risco, jamais ganhei o suficiente para bancar minha strictu. Isso não me incomodava, até há bem pouco tempo, pois sempre fui prática, como os engenheiros, cuja classe é unânime em reconhecer que as stricuts sensu só fazem sentido pra quem for seguir carreira acadêmica (pra quem não entendeu, leia-se, a grosso modo: quem for dar aula em faculdade ou dedicar carreira a pesquisa científica). Como nunca me importei com carreira acadêmica, não esquentei a cabeça. Até que, nos últimos anos, graças a uma série de alterações nas políticas de educação, comecei a ver, em todas as classes e seguimentos, pessoas "semi" analfabetas, tituladas de mestres e doutores. "Semi" é uma cortesia minha. Acho realmente revoltante. De um lado, exigem que o advogado praticamente trabalhe de graça, e de outro, que para ser considerado "bom" possa pagar por um curso cuja mensalidade custa quase a totalidade de sua renda de subsistência? Ora façam-me o favor.

Então, desabafo dado, deixo um recado à população em geral: não se enganem e nem se deixem impressionar pela "titulação" de um advogado. Leia o que ele andou escrevendo, e pesquisem sobre a média de sucesso que alcança nas causas que patrocina. Se informem sobre tudo isso e, acima de tudo, confiem na indicação de ex clientes. É isso que faz o advogado. Nós temos que ser cultos, estarmos atualizados, sabermos atuar. Isso, nós alcançamos com a base de ensino que tivemos, e com os estudos constantes ao longo da vida. A partir da titulação, desde o bacharelado (formatura), bem como as pós graduações que tivemos oportunidade de fazer, até o dia em que morremos, somos todos, essencialmente, auto ditadas, pois a legislação muda como as estações do ano. Não adianta ser "doutor" cujo título já conta com 20 anos, se HOJE, não estamos preparados para a causa que nos é apresentada HOJE. Saibam que não existe nenhum curso, nenhum mesmo, que ateste o preparo do advogado para a atuação na defesa dos seus interesses. Isso, quem determina, é o mercado. Ou seja: são os clientes.

Mas, além de tudo isso, o mais essencial é a confiança. É sentir firmeza no contato com o advogado. Sentir que o que ele disse em uma consulta preliminar está de acordo com tudo o que você pesquisou antes sobre seu caso. Sentir que o que ele diz, faz sentido. Sentir que ele irá de fato, agarrar sua causa com unhas e dentes e irá estudar e varar noites em claro pesquisando, para garantir ao máximo suas chances de vitória. Confie em seu "feeling".

E, para terminar, leiam o que escreveu Elenilton. O problema que ele apresenta existe e mais: não apenas na graduação, mas nas pós graduações também. Que fique isso muito registrado. continuar lendo

compartilho em grau, gênero e número. Minha profissão é advogar e a labuta do dia adia não é fácil. As que escolheram o serviço público que respeite a árdua missão do advogado. continuar lendo

Christina Morais, perfeita a sua lucidez e a clareza do seu comentário continuar lendo

Me incomodava muito com essa situação. Hoje em dia não ligo. Quero ver explodir. Maioria não sabe o que está fazendo e infelizmente vão passar necessidades. Mas prefiro cuidar de minha vida do que estragar me preocupando com a vida alheia. continuar lendo

Não sou advogada, atuo na engenharia, mas concordo com você. continuar lendo

Perfeito Dra, excelente raciocínio. continuar lendo

Concordo com vc Fátima, é muito raro a qualidade intelectual dos advogados, principalmente Juízes que por sua posição, abusam do poder e cumprir com suas responsabilidades, isso fica fora de cogitação. Se ao menos trabalhassem 24 horas por semana, não existiria tanto acumulo de processos continuar lendo

Eis que mais uma vez fica manifesto o corporativismo médico. Mesmo pagando altos salários os municípios não conseguem atrair médicos. Uma consulta médica de R$ 160, que tem a duração média de 15 min, custa mais que 5 dias de trabalho de um trabalhador que aufira um salário minimo. Sinceramente não consigo acreditar que o MEC esteja realmente preocupado com a qualidade do ensino já permite que os outros cursos da área da saúde sejam ofertados na modalidade EAD. Parabéns ao autor do artigo, certas verdade precisam ser ditas! continuar lendo

Não falta mercado para os médicos. Na verdade, sobra o suficiente para que possam escolher as oportunidades melhor remuneradas. No PSF (hoje intitulado ESF) da minha região, o médico passou em um outro concurso, melhor, e saiu. Pediu exoneração desse cargo para assumir outro. Estão há meses chamando os que estavam na lista de espera e adivinhe? Ninguém se interessou. Estão, agora, em processo de contratação via tentativa de enquadrar a possibilidade de dispensa licitatória da Lei 8666. Superada essa fase, será que mesmo isso, garantirá que algum médico queira o cargo? Sei não. Uma coisa é fomentar a qualidade do ensino médico, o que é essencial. Outra coisa é impedir a formação de mais médicos, o que também é essencial (a formação, não o impedimento). Não adianta dar uma de avestruz e esconder a cabeça no buraco. Precisamos de melhores médicos e de mais médicos. Dos dois. Não adianta formar menos médicos, tão ruins quanto.

Já a situação dos cursos de Direito é bem diferente. Não precisamos de mais advogados, apenas de melhores advogados. Simples assim. Mas, graças a questões que levantei no meu desabafo acima, o fato é que os advogados influentes, inclusive ocupantes de postos de comando dentro da própria OAB, muitos deles (não todos), vivem EXCLUSIVAMENTE (ou quase) do meio acadêmico e da mídia. Se tirássemos o emprego de professores, ou a atividade empresarial como sócios proprietários de faculdades e "uni esquinas" da vida, meio mundo da classe, hoje nas "cabeças", estaria, num estalar de dedos, na "lanterninha". É isso. continuar lendo

A sua resposta é um exemplo clássico da briga entre profissões. Cada um puxa a sardinha para o seu lado e no fim quem faz o que quer é o governo. Eu como médico também sei citar muitos exemplos de corporativismo no direito mas... é isso. continuar lendo

Concordo com o Vinicius Maeta!
Todas as profissões têm suas mazelas e não é agredindo ou comparando profissões que conseguiremos melhorar nosso país.
Chega da política do nós contra eles, as consequências estamos vendo e sentindo agora.
Cada profissional conhece muito bem o fardo de sua profissão. Bons e maus existem em qualquer área, a vida diferencia isso com uma rapidez incrível.
Preciso do advogado, do engenheiro, do pedreiro, do lixeiro...... tanto quanto precisam de mim.
Respeitemos uns aos outros! continuar lendo

Que fique claro, não estou criticando todos os médicos. Minha critica vai (além do MEC) para o CFM, e outros órgãos da classe, que tendo ciência do deficit de médicos no pais, encabeçam tal medida. Além disso, se empenharem dia e noite para aumentar sua área de atuação privativa. Ninguém é contra melhorar a qualidade do ensino, mas não é limitando a oferta que vamos chegar lá. Basta de por interesses de classe acima dos interesses de toda sociedade! continuar lendo

Eis uma comparacao ilogica e populista: salário do medico eh maior que do trabalhador “comum”? Faria o mesmo questionamento: pq a consulta juridica tambem eh maior a de um trabalhador “comum”? A resposta eh pq investimos mais na nossa formacao! Mas advogados tem a OAB, teoricamente seria para barrar dos graduandos dos que tem condicoes de advogar. O exame da ordem do CFM via a mesma coisa (aprendemos com a OAB): separar os graduandos em medicina dos que tem condicoes minimas de praticar medicina. Mas vc nao tem o “Mais Advogados” importados como se fossem tapar o problema jurídico do brasil... imagina trazer um cubano, paraguaio ou seja de onde for a formacao, vir advogar pq a justiça eh lenta no Brasil?

Parem! Paremos com essa richa de medicos x enfermeiros x advogados e etc! Somos brasileiros e formados no Brasil! Queremos defender a nossa classe e o nosso povo! Quem estraga eh quem faz politicagem populista! Se populismo mudasse mesmo o Brasil, ate Dilma, Lula, FHC, Sarney e etc teriam ja colocado Brasil em primeiro mundo!

Primeiro que a classe médica tem salarios defasados (sim, ganhamos mto, mas por exemplo minha carga horaria eh de 400h no mes, sem horario certo de almoco, virando noites, por PJ, sem vinculo trabalhista, sem ferias remunerada - alias nem ferias temos - sem direito a ficarmos doentes pq atestado nao serve pra nada, respondemos ao nosso Conselho se faltarmos por “abandono de plantao”, salário alto de antigamente hj eh praticamente o mesmo valor em numero absoluto, mas proporcionalmente menor pq nunca acompanhou a porcentagem do aumento do salário minimo, nao temos Planos de carreira, nao recebemos beneficio, concursos novos tem salarios menores que de enfermeiros qdo praticamente eh raro essa oferta...). Advogados nao são diferentes, mas podem fazer seus horarios de refeicoes pq ng vai morrer por fechar o escritorio, a porcentagem sobre algo eh sobre um valor q ao menos tenta acompanhar a inflacao... tem o conforto de trabalhar em casa - nao disse que nao eh trabalhoso!... mas enfim, diferencas de profissoes existem!

Parece que eh isso q o Governo quer: brigas entre nos que trabalhamos pra tirar do foco! O foco eh neles que deveriam proteger todos igualitariamente. Advogados tb tem direitos. Poxa...

Eh triste ver as profissoes que um dia foram soberanas serem tratados como estamos sendo tratados hj.... nao eh dinheiro, nao eh alter ego, nao eh orgulho... mas sim, falo de RESPEITO!

Perdemos isso dentro das nossas proprias classes, medicos ou advogados, cada um devorando e condenando ao outro e nda se resolvendo... continuar lendo

160 só os fracos pra pegar receita de charope e amoxilina. Os demais chegam a 50% do salário mínimo de um trabalhador. continuar lendo

Não renderei muito. Digo estude um pouco mais antes de opinar. Advogados, professores, dirigentes de oab, nada a ver. E não sou nenhum dos citados. Médico forma passa a fazer cirurgias. O advogado so se torna apos aprovação na prova da Ordem. continuar lendo

Parabéns! A qualidade dos cursos de Direito está cada vez pior. Você foi cirúrgico na sua publicação. continuar lendo

Esse problema é extremamente complicado. O fato é que estudar Medicina neste país é um privilégio para pessoas de classe média alta. E geralmente esse pessoal não quer se sujeitar a exercer a Medicina em regiões pobres. No máximo, aparece um ou outro metido a doido que fazem estágio/residência na África, mas quando retornam ao Brasil, querem atender perto dos grandes centros urbanos, para continuar vivendo o padrão de vida ao qual estão acostumados.

E ainda têm coragem para criticar programas como o Mais Médicos, que pode ter seus problemas, mas foi capaz de ofecer acesso à serviços médicos pelos mais pobres. continuar lendo

Ah, para, meu. Onde está esse serviço aos pobres. Medicos jogando paciencia, assinando ponto e indo embora, amputando mãos de bebes, entre outras menos votadas. Os salários são bons, sim. continuar lendo